07 de Agosto de 2019,12h00
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São Paulo foi palco da maior feira sobre plástico e borracha da América Latina, a Plástico Brasil. A segunda edição do evento ocorreu em março, no pavilhão da São Paulo Expo, na rodovia dos Imigrantes, zona Sul da capital. Foram mais de 800 expositores nacionais e internacionais que apresentaram seus produtos em um espaço de mais de 40 mil m².
Entre as demonstrações de maquinários que desenvolvem itens plásticos em massa no menor tempo possível, os produtos fabricados com material reciclável também competiam para chamar a atenção do público. Foi o caso de um estande que demonstrava bicicletas feitas com plástico reciclado, a Muzzicycles. Curiosos que lotavam o local tiravam dúvidas sobre o veículo diferente.
“Há 21 anos, eu criei essa marca. Atualmente, com a popularidade da sustentabilidade, a procura pela bicicleta feita com a reciclagem da garrafa PET tem aumentado”, conta o criador do veículo, Juan Muzzi.
É nítido o aumento de interesse do público no que tange a sustentabilidade. Tanto que outro estande que levantava a bandeira do meio ambiente estava cheio de participantes. Em um espaço verde fluorescente equipado com muitas caldeiras e uma tela para apresentação, a Plastivida, uma associação que há 20 anos tem o desafio de conscientizar a sociedade para um consumo mais racional do plástico, realizou uma série de palestras para derrubar mitos sobre o uso do plástico e sua reciclagem.
Para a conselheira da Plastivida, Vanessa Villalta, participar de um evento como o Plástico Brasil foi uma boa oportunidade para esclarecer mitos que envolvem o material. “A maioria das pessoas não sabe, mas o isopor, por exemplo, é um tipo de plástico e ele pode ser facilmente reciclado”, conta a profissional que didaticamente explicou na feira sobre reciclagem de EP (poliestireno expandido) – nome original do isopor. Essa denominação popular é fruto de uma marca registrada por uma empresa alemã.
Outro assunto abordado de maneira didática foi a lei que rege a reciclagem no Brasil (12.305/10), a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Com mais de 209 milhões de habitantes e muitas empresas fabricantes de produtos que após o consumo se tornam resíduos, criar a lei no Brasil foi uma forma de organizar e controlar os materiais que são descartados, além de cuidar dos aterros sanitários que estão funcionando.
“Até 2031, a meta da PNRS é diminuir em 45% a quantidade de recicláveis que seguem para os aterros sanitários desnecessariamente”, explicou uma das palestrantes da Plastivida, Silvia Rolim.
Ter uma política nacional voltada para o assunto já norteia as ações que o país precisa colocar em prática. Ao contrário dos brasileiros, na fronteira com a região Sul, um país luta pelo direito de sancionar uma lei para a reciclagem. A coleta seletiva na Argentina ainda não conta com diretrizes governamentais e a situação foi tema de outra palestra.
Convidada pela Plastivida, a argentina Verónica Ramos, diretora-executiva da Ecoplas - uma organização que defende a reciclagem na sociedade – revelou as aflições que o país passa devido à baixa coleta seletiva. “Queremos ultrapassar nosso índice que apresenta 12% de reciclagem de resíduos plásticos. Nosso país tem potencial para aumentar essa porcentagem e fazer a economia aumentar por meio da comercialização desse material”, explicou.
O circuito de palestras ganhou a atenção do público, tanto que ao final de cada apresentação muitas dúvidas que giravam em torno da reciclagem foram respondidas.
Para Vanessa Villalta, membro da Plastivida e especialista em reciclagem de isopor, conversas explicando sobre o reaproveitamento do plástico são necessárias para tirar o rótulo de vilão que o componente vem recebendo da mídia. “Sempre que temos oportunidades, queremos esclarecer os mitos e ressaltar que um consumo responsável aliado a uma coleta seletiva é a chave para equilibrar a balança ambiental e econômica”, explicou.
Texto produzido em 03/07/2019
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