27 de Novembro de 2019,11h45
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No bairro do Butantã, na zona oeste de São Paulo, uma fábrica de comida japonesa funciona a todo vapor diariamente. Para manter o negócio funcionando e fazer o almoço dos funcionários, Juliana Mendonça, uma das proprietárias, utiliza 50 litros de óleo de cozinha por mês.
Cento e cinquenta quitutes são feitos mensalmente com óleo vegetal que, depois de resfriado, é despejado em uma das bombas concedidas por uma empresa de reciclagem do composto.
“Temos dois reservatórios e eles só ficam completamente cheios depois de dois meses, quando a recicladora vem retirar aqui no local. Nem imagino o que eles vão fazer com o óleo depois que usamos”, admite Juliana.
A 50 quilômetros da cozinha industrial de Juliana, na cidade de Mauá, está a Lirium, empresa responsável por dar destino ao óleo utilizado pela proprietária. “O líquido usado na cozinha de Juliana é transformado em matéria-prima para a produção de biocombustível”, explica o gerente administrativo da companhia, Nelson Dennuzio Júnior.
O biocombustível é utilizado por veículos e produzido a partir de matérias orgânicas vegetais, entre elas o óleo de cozinha usado. Um dos biocombustíveis mais usados no Brasil é o biodiesel.
A Lirium recolhe por mês mais de 250 toneladas de óleo de cozinha da região metropolitana de São Paulo, ABC paulista, Baixada Santista e algumas cidades do interior. Uma das principais tarefas da empresa é limpar o óleo e transformá-lo em uma substância limpa para adicionar ao biodiesel.
O primeiro passo para essa limpeza é realizar uma espécie de filtragem em um grande tanque. O processo faz com que as sujeiras maiores, como restos de comida e palitos de fósforos, sejam separadas.
Depois de passar pela grande peneira o óleo é colocado em um tanque de aquecimento a 80 graus. “Nessa etapa, o líquido afina e ocorre um processo de separação entre óleo, sujeira e água. O óleo limpo fica em cima, a sujeira fica no meio e a água embaixo”, explica Nelson. Nesta etapa trifásica, os profissionais recolhem o óleo limpo.
Parte desse óleo tratado será destinado à produção de tintas e de ração animal, mas 80% da substância será utilizada pela indústria de biodiesel.
A União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio) é uma associação que representa nacionalmente toda a cadeia produtiva dos biocombustíveis no Brasil. O presidente da instituição, Donizete Tokarski, explica que é obrigatório no país que todo o diesel vendido em território nacional tenha 10% de biodiesel. A partir de junho, a obrigatoriedade será de 11%. No ano passado, o governo brasileiro autorizou que grandes frotas veiculares, como empresas de ônibus, podem voluntariamente optar por utilizar combustível com maior percentual de biodiesel: até 20% em frotas rodoviárias e 30% no transporte ferroviário, em tratores agrícolas e maquinários industriais.
Na visão do presidente da associação a elevação do percentual é uma boa notícia para estimular a baixa reciclagem do óleo de cozinha no Brasil. Segundo Tokarski, é preciso aproveitar melhor o potencial desses materiais vegetais que são gerados em restaurantes, cozinhas industriais e residências pelo país.
A coleta de óleo é um desafio, pois poucas cidades têm postos para recolhimento.
“Queremos ampliar a reciclagem do óleo e ampliar sua aplicação na produção de biodiesel. Noss Estados Unidos, por exemplo, cerca de 12% do biodiesel são provenientes do óleo de fritura”, explica.
Atualmente, a principal matéria-prima na produção do biodiesel é o óleo de soja (aproximadamente 70%). O óleo de fritura reciclado corresponde a menos de 2%. “Ele ainda é uma fonte quase inexplorada. Dependendo da região, compra-se o litro por valores que vão de 40 centavos a R$ 1,80.
Ao contrário da realidade nacional, a região Sudeste é onde o óleo de fritura tem a maior taxa de recolhimento: 15,42%. Em São Paulo, por exemplo, a Lirium é uma das empresas mais antigas na coleta de óleo, existente desde 2001. Pela cidade e outras regiões do estado, ela possui mais de cinco mil pontos de coleta.
Como descartar seu óleo de cozinha usado:
1. Após utilizar o óleo em frituras, espere esfriar e coloque em algum recipiente com tampa, como uma garrafa pet, utilizando um funil;
2. Armazene o recipiente em um lugar seco, sem contato com calor e vá colocando o óleo conforme for usando;
3. Quando o recipiente estiver cheio, você pode levar até pontos de coleta. Confira o mais próximo da sua casa aqui.
Não descartar:
1. No ralo da pia da cozinha;
2. No ralo da pia do banheiro;
3. No vaso sanitário.
“Além de poluir as águas, o acúmulo de óleo nas tubulações de esgoto cria crostas espessas, como pedras, que dificultam a passagem do esgoto e causam entupimento nas tubulações”, diz Abiatar Oliveira, gerente de água e esgoto da Sabesp da zona Sul.
Texto produzido em 01/05/2019
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